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Quanticum – Como um grupo de pesquisa se tornou uma startup AgTech de sucesso

Como a ideia de uma startup surge e como ela se desenvolve até se tornar uma referência de inovação na sua área de atuação? Essas e muitas outras perguntas podem estar no imaginário de inúmeras pessoas. Inclusive daqueles que já veem atuando ou investindo nesta área, mas mais ainda daqueles que querem entrar nesse mundo, mas ainda não sabem bem por onde começar. Principalmente neste mercado, que a cada dia se torna mais aquecido.

“[…] pode ser muito difícil, principalmente no início. Você tem que ser resiliente, porque trazer uma inovação para certos cenários não é uma tarefa fácil. No entanto com a resiliência e um bom lastro de ciência, você consegue ir superando os obstáculos”

            O diretor executivo da startup Quanticum, Diego Siqueira, falou um pouco sobre as dificuldades de se trabalhar com uma ideia inovadora e investir nela no Brasil: “[…] pode ser muito difícil, principalmente no início. Você tem que ser resiliente, porque trazer uma inovação para certos cenários não é uma tarefa fácil. No entanto com a resiliência e um bom lastro de ciência, você consegue ir superando os obstáculos”.

            A Quanticum tem se destacado como startup no cenário recente, tendo comomissão ajudar o produtor a entender melhor o potencial das suas terras e as suas particularidades.

Para o diretor executivo da Quanticum, os três principais pilares para seu desenvolvimento como empreendedor foram, sua formação técnica como engenheiro agrônomo pela Unesp de Jaboticabal, sua paixão pelo jornalismo científico e a gestão de inovação. Diego conta que sua experiência prévia antes da fundação da startup foi fundamental para a construção do projeto, “[…] Eu trabalhei em alguns ecossistemas de inovação como a InovaJab, incubadora de base tecnológica da Unesp de Jaboticabal, na qual fui convidado para participar desse projeto maravilhoso e aprendi muito. Depois eu trabalhei no SUPERA parque, que é um dos Top-10 parques de tecnologia e inovação do planeta, na qual eu ajudava na vertente Agro. Então juntando a ciência básica, a paixão por falar de ciência e agora trazendo esse tempero com a inovação, surgiu a Quanticum”.

“[…] Claro que cada um de nós já cometeu muitos erros, mas juntos aprendemos com eles, e é dessa relação que surge a Quanticum”

            Outro fator para o sucesso do empreendimento é a composição de sócios, pois “[…] em geral a gente não faz nada sozinho. Na área de startup isso é uma realidade. A um tempo atrás eu vi uma estatística das empresas de maior sucesso, que mostrava que grande parte delas tem no mínimo três sócios. Então, na Quanticum nós somos em exatos 3 sócios: Eu, o Gustavo Polo que é a terceira geração de consultores da área de grãos e já tinha uma experiência em outras empresas, também como fundador e o Renan Gravena, cujo pai foi professor na Unesp de Jaboticabal e fundador de uma das primeiras empresas de controle biológico do país, a Gravena […] então juntamos todo esse time, em que todos somos engenheiros agrônomos da Unesp de Jaboticabal, mas com visões diferentes. Claro que cada um de nós já cometeu muitos erros, mas juntos aprendemos com eles, e é dessa relação que surge a Quanticum”.

            A startup dos três amigos é um bom exemplo de como a inovação nasce de uma sequência lógica, quando ela começa dentro da universidade. Diego explica que:“A Quanticum é uma spin-off, que é uma empresa de tecnologia que nasce de uma outra empresa ou nasce de grupos de pesquisa onde muitos estudantes de iniciação científica, mestrado ou doutorado são associados. Estes grupos estão cadastrados no diretório de grupos de pesquisa do CNPQ, no qual hoje computa cerca de cinco mil iniciativas desta natureza. Na InovaJab tive a oportunidade de interagir com a rede UNESP, que articula todo o movimento de inovação e empreendedorismo tecnológico, aquele que nasceu de um trabalho de conclusão de curso, de uma dissertação ou de uma tese de um pós-doutorado. Então nessa rede de inovação um dos grandes pilares é a agência Unesp de Inovação, a qual divulgou um relatório mapeando todas as empresas filhas da universidade. Os resultados deste levantamento apontam que há mais de 1300 empresas com origem na Unesp, sendo que só em Jabuticabal existiam mais de 25, que nasceram de grupos de pesquisa, assim como a Quanticum”.

            O papel das universidades é inquestionável no sistema de inovação e tecnologia. Diego ainda destaca que os grupos de pesquisa são verdadeiras jazidas de startups em processo de criação e amadurecimento. Por exemplo, “A Quanticum, surge de um grupo de pesquisa, o CSME (Caracterização do Solo para fim de Manejo Específico), do qual fiz parte desde a minha iniciação científica até meu pós-doutorado, no qual eu era assessor de divulgação Científica e ajudava nos contratos de inovação. Esse grupo de pesquisa sempre teve um bom relacionamentos e projetos junto com a Fapesp, uma das principais entidades tecnológica no Estado de São Paulo, que financia mais do que apenas pesquisas em universidades e institutos, atuando também como investidora de projetos em empresas, como o centro de engenharia para Fapesp e grupo São Martinho, nucleado na Unesp Jaboticabal”.

            A trajetória do grupo de pesquisa foi integralmente absorvido pela startup, que tem como foco a inteligência em solos, uma vez que cerca de 90% de tudo aquilo que nós consumimos vem do solo, seja direta ou indiretamente. Todos os produtores de maneira geral dependem do solo e por isso “Nós pensamos exatamente em dois pilares. O primeiro seria atender o cliente, seja ele um produtor de 3 hectares ou uma grande empresa de 150 mil hectares. Então essa versatilidade sempre foi e será muito importante para nós. O segundo pilar é sobre a questão da inclusão tecnológica, em que queremos fornecer informação estratégica por um valor acessível” relata Diego.

            Apesar de ser um insumo constitutivo do sistema de produção de alimentos, o solo ainda chama pouca atenção do público em geral. Por isso, o diretor executivo destaca que “Há uma preocupação com a conscientização das pessoas, sejam elas moradoras das cidades ou das áreas agrícolas, sobre a importância da terra. Sem esse esclarecimento da importância do ativo terra seja nas cidades inteligentes ou nos campos sustentáveis, nenhuma tecnologia vai dar certo, digo em relação àquelas que se propõe a entender a terra. Então nosso grande desafio é justamente falar aos quatro cantos sobre a importância dos solos e da sua parametrização, isto é, conseguir atingir indicadores sensíveis as diferentes regiões, temperadas e tropicais”.

Grandes desafios geram os grandes sonhos, os grandes sonhos levam aos grandes desafios e esses são alcançados apenas com criatividade, inovação e espírito empreendedor. Ter isso claro é fundamental para o sucesso do empreendimento. Conscientizar o público sobre o valor da sua solução é fundamental, pois se as pessoas não entendem a importância daquilo que você está vendendo, elas nunca conseguirão aplicar de fato a tecnologia, tornando-a irrelevante.